Cruzamento e análise de dados de sistemas agilizam identificação de bens e prisão de infratores
Projeto da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) com uso de dados da Base Integrada de Segurança Pública (Bisp) e do Registro de Eventos de Defesa Social (Reds), sistemas desenvolvidos pela Companhia de Tecnologia da Informação de Minas Gerais (Prodemge), tem sido fundamental para acelerar a recuperação de veículos roubados em Minas Gerais.
De janeiro de 2024 até junho de 2026, a PM recuperou 2.340 veículos – média de 2,5 por dia -, ação que ocorre a partir do cruzamento de placas identificadas pelo sistema Hélios com a Bisp, considerada o primeiro data lake do estado, e o Reds. Além da recuperação dos veículos, o sistema tem resultado também na prisão dos autores do crime em 60% dos casos.
Especialista da Gerência de Inteligência de Dados da Prodemge, Felipe Rocha detalhou o projeto em apresentação no Customer Spotlight da Evolve 2026, evento de tecnologia promovido pela Cloudera, em São Paulo. “A Bisp é uma solução poderosa, pois possibilita integração entre dados de vários sistemas da segurança pública, facilitando o consumo e a análise pelos agentes tanto nas áreas gerenciais quanto na ponta, no dia a dia dos usuários. Seu uso abrange desde dashboards a modelos de machine learning e de inteligência artificial (IA)”, explica.
Hoje, a partir de câmeras de alta efetividade, a localização do veículo costuma ocorrer em 15 minutos após a ocorrência, em média, numa distância de 2 a 7 quilômetros entre o local da captação da imagem e do ponto de interceptação.
Atuação integrada
Chefe do Centro de Gerenciamento e Análise de Dados da PMMG, o tenente-coronel Frederico Martins avalia a iniciativa. “Na segurança pública, o valor da tecnologia está na capacidade de transformar grandes volumes de dados em informação útil para a atuação policial, ou seja, na geração de valor público”.
Um dos avanços, segundo ele, diz respeito às integrações presentes na Bisp, que permitem relacionar informações que antes exigiriam análises manuais muito mais demoradas, identificar padrões e direcionar recursos com mais rapidez.
“Na prática, esse trabalho demonstra como análise de dados, tecnologia e atividade operacional podem atuar de forma integrada para ampliar a capacidade da Polícia Militar de recuperar veículos, identificar infratores e oferecer uma resposta mais rápida ao cidadão”, destaca.
Origem
O projeto surgiu da necessidade da PMMG de produzir levantamento preciso sobre o número de veículos recuperados no estado após furto ou roubo com algum grau de participação do sistema Hélios.
Ao mesmo tempo, a força de segurança buscava identificar e avaliar pontos com câmeras mais eficientes, modelos com melhor resposta no período noturno, entre outras informações.
“A partir daí, a Prodemge disponibilizou a base de dados da Bisp, e a PMMG iniciou o cruzamento de dados”.
As tecnologias usadas são câmeras com License Plate Recognition (LPR), equipamento de segurança “inteligente” capaz de ler e reconhecer automaticamente placas de veículos por meio de imagens; ingestão de dados na Bisp, leitura via Interface de Programação de Aplicações (API) em bancos de dados e cruzamentos via linguagens de programação como SQL e Python.
A Gerência de Inteligência de Dados (GID) da Prodemge responde pela Bisp.
Como funciona
Rocha esclarece ainda que o projeto promove uma espécie de engenharia reversa, que linka dois fatos sem chaveamento direto nas respectivas tabelas, com atualização mensal.
A atuação é em todos os municípios mineiros e tem sido considerada estratégica para ampliar o volume de carros recuperados e a identificação de criminosos.
“A tecnologia amplia o potencial de o Estado trabalhar com inteligência de dados com impacto direto na melhoria da vida do cidadão”, destaca Rocha.
